Existe um caminho para o Borussia Mönchengladbach? Os erros e acertos de Gerardo Seoane

Foto: Reprodução/GetFootballNewsGermany

Diante de mais uma tentativa de reconstrução, o Borussia Mönchengladbach inicia a terceira temporada consecutiva com um novo treinador e o escolhido da vez foi Gerardo Seoane, encarregado de uma missão mais complexa do que a dos antecessores. Além da falta de poderia financeiro para contratar, o novo comandante tem a missão de recolocar o Borussia nos eixos após perder diversos jogadores importantes, sendo a maioria desasas saídas sem retorno financeiro aos cofres dos Potros.

Ramy Bensebaini, Lars Stindl e Marcus Thuram deixaram os Potros de forma gratuita, enquanto Jonas Hofmann deixou o clube a contragosto da cúpula diretiva, graças a cláusula no contrato, inserida na renovação anterior. Com poucos recursos, o Borussia Mönchengladbach tentou retornar ao que faz de melhor: apostar em promessas de potencial. Dentro dessa filosofia, Tomás Cvancara, Grant-Leon Ranos, Lukas Ullrich e Fabio Chiarodia, todos com menos de 23 anos, foram contratados, juntamente com alguns atletas mais experientes como Franck Honorat (26), Max Wöber (25), Robin Hack (24) e Jordan Pefok (27).

Como era de se esperar, todo processo de reconstrução demanda tempo, especialmente com jogadores jovens. Jogadores dessa faixa etária costumam oscilar mais, portanto é preciso confiar no processo e na avaliação do potencial de cada um deles, dando o devido tempo a cada atleta.

Atribuído com essa difícil missão, o técnico Gerardo Seoane colecionou bons e maus montes até aqui – 11 rodadas disputadas na Bundesliga, além de duas fases na DFB Pokal, a Copa da Alemanha. A esperada oscilação aconteceu logo na estreia, quando o Gladbach rapidamente conseguiu colocar uma vantagem de 3 a 1 sobre o Augsburg, fora de casa, com 37 minutos de jogo. O time, todavia, sofrera a virada nesse encontro e ainda conseguiu buscar um heroico empate aos 90+7’ com Tomás Cvancara em cobrança de pênalti.

Gerardo Seoane é a terceiro técnico com a missão de recolocar o Gladbach nos “trilhos” (Foto: Reprodução/Hufnagel PR)

O choque de realidade aconteceu na rodada seguinte, quando o Borussia Mönchengladbach foi completamente dominado pelo atual líder Bayer Leverkusen, sendo derrotado por 3 a 0 em pleno Borussia-Park, frustrando toda expectativa da torcida. A equipe foi variando de desempenho nas partidas seguintes, mas ainda sem conseguir vencer.

Boas atuações contra Bayern e Leipzig foram insuficientes e a equipe acabou derrotada nas duas ocasiões, ambas em casas. Fora de casa, um primeiro tempo abominável contra o Darmstadt até a equipe adversária ter um atleta expulso e com a cobrança no intervalo de mostrar brio em campo, o empate por 3 a 3 foi alcançado, no que poderia facilmente ter sido um triunfo, não fosse a falta de capricho nas finalizações.

A primeira vitória da temporada na Bundesliga aconteceu somente na 6ª rodada, contra o Bochum, fora de casa, por 3 a 1. Esse triunfo, no entanto, foi insuficiente para restaurar a confiança da torcida, uma vez que nas rodadas seguintes, o Borussia tropeçou ao empatar por 2 a 2 em casa com o Mainz e no Rheinderby contra o Köln, superado por 3 a 1.

Um fator em comum em todos jogos disputados até então vinha sendo a falta de consistência da equipe durante os 90 minutos. Tendo a vantagem, a equipe abdicava de jogar e oferecia a chance de a equipe adversária empatar ou virar. No mesmo caminho, sempre que saia em desvantagem, a desorganização era tremenda que permitia ao adversário marcar gols de forma consecutiva em um curto período de tempo. Algumas dessas ocasiões as escalações surgiam como o problema, já em outras, as substituições.

Nas últimas coletivas o técnico Gerardo Seoane destacou que a equipe ainda carecia de maior efetividade nos duelos individuais, ou seja, ser mais firme e demonstrar mais vontade para ganhar ou recuperar a posse de bola. Dentro desse pensamento, o técnico enxergou no meio-campo o caminho para realizar esse ajuste e começar a encontrar um caminho para equipe.

De contrato renovado e encarregado de ser o capitão da equipe, Florian Neuhaus acabou perdendo a titularidade graças a atuações fracas, mesmo com alguns gols marcados. O meio-campista, pelo menos até o momento, perdeu aquela capacidade de controlar e articular a equipe com alguma velocidade. Seoane optou por formatar o meio com Julian Weigl, Manu Koné e Rocco Reitz, esse último a grata surpresa da temporada.

Prata da casa, Rocco Reitz (21) tem sido um dos principais jogadores do Borussia na temporada (Foto: Reprodução/OneFootball)

O novo comandante dos Potros se destacou no Young Boys pela eficiência no contra-ataque, característica que o Gladbach tinha como destaque por anos. Nos últimos jogos a equipe mostrou alguma evolução nesse aspecto e teve atuações mais inspiradoras – triunfos contra Heindenheim (pela Bundesliga e Copa da Alemanha), goleada contra o Wolfsburg e um empate amargo contra o Freiburg, concedido no último minuto.

Na Copa da Alemanha e contra o Wolfsburg pela Bundesliga, as atuações foram bem consistentes e os Foals mostraram alguns sinais interessantes, como uma maior conexão entre Pléa e Honorat. Já contra o Freiburg, o melhor e o pior do Borussia foram vistos – time com brio para buscar a virada e posteriormente uma equipe passiva na marcação, cedendo campo para o adversário até sofrer o empate, também impactado por alterações defensivas do técnico.

Como efeito de avaliação, o Borussia M’Gladbach já marcou 23 gols em onze jogos na Bundesliga, demonstrando que há potencial ofensivo a ser desenvolvido, ainda mais considerando que o setor ainda não produz com a fluidez devida. Por outro lado, o time também sofreu 23 gols, ou seja, existe a necessidade de se trabalhar o aspecto defensivo da equipe de forma coletiva, não apenas individualmente.

Ainda falta muito campeonato pela frente e a situação pode voltar a degringolar como no início da temporada, mas Seoane tem se mostrado engajado na tentativa de recuperar o espírito do Borussia Mönchengladbach, agora resta saber se terá capacidade para tal.

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